Minha Viagem a Jerusalém

Em 2010, publiquei uma ficção bíblica sobre cinco jovens lutando para alcançar seu objetivo enquanto vagavam pelo deserto rumo à Terra Prometida, junto com seus parentes e companheiros israelitas; o título é Milca. Para isso, tive que pesquisar e consultar constantemente os livros de Números, Deuteronômio, Josué e mapas. Depois disso, meu filho David sempre me dizia: “Mãe, você tem que ir a Israel, porque você sabe muito sobre a história e a geografia de lá.” Minha resposta era: ” Não tenho recursos para isso.” Finalmente, ele me deu os dólares para esta viagem e Tom, meu marido, encontrou uma empresa que faz esses tipos de excursões. Então, eu fui com um grupo de metodistas e o bispo da região através desta empresa de viagens.

4/2/2020 Terça-feira

Embarquei em Fort Lauderdale, cheguei a Newark e me transferi para outro avião para Tel Aviv. Encontrei uma multidão de pessoas fazendo a mesma excursão no portão de Newark. No avião, um homem me pediu para trocar de lugar com ele; ele queria sentar com sua esposa. Dei meu assento e fui sentar na última fila perto dos banheiros. O avião tremeu tanto a noite toda que pensei que ia me liquidificar. Uma vez, o passageiro na minha frente levantou-se para fazer suas orações. Ele usou apetrechos nos braços, nos ombros e amarrou uma caixa na testa e inclinava-se para frente e para trás enquanto lia e orava. Ele deve ter sido um judeu ortodoxo. Como não sou judia, tudo isso era novidade para mim. Quando chegou a hora de servir o jantar, os atendentes serviram comida kosher aos judeus e, em seguida, comida regular aos outros passageiros.

5/2/2020 Quarta-feira

Chegamos a Tel Aviv à tarde. Nos três aeroportos, anunciavam repetidamente que, se algum passageiro estivesse vindo da China, era para se apresentar às autoridades do aeroporto imediatamente. O Covid 19 estava chegando até nós. Algumas pessoas já estavam usando máscaras.

Saindo do terminal em Tel Aviv, encontramos oito ônibus nos esperando. A faixa na frente de cada um tinha o nome de uma pedra; o meu era Esmeralda e o crachá no pescoço das pessoas naquele ônibus era verde. Após uma viagem de uma hora, chegamos a Netanya. Ficamos no Lagoon Hotel.

6/2/2020 Quinta-feira

De manhã, quando olhei pela janela, a maravilhosa vista do mar Mediterrâneo me surpreendeu. Fiquei emocionada vendo aquele vasto azul e pensando em como eu era abençoada por ter o privilégio de visitar a Terra de Jesus. 

Pegamos o ônibus com nossas malas porque no final daquele dia ficaríamos em outra cidade. Nosso primeiro lugar para visitar: Cesareia Marítima. Primeira parada, aquedutos de Cesareia – É de tirar o fôlego! Foi construído no primeiro século dC. Em seguida, vimos as ruínas do Palácio de Herodes, à beira do Mar Mediterrâneo. Entramos no Teatro Romano, que está em restauração. Sentamos e o bispo Carter falou conosco. Ele mencionou que Pedro visitou Cornélio em Cesaréia. Cornélio era um gentio. Pedro teve uma visão em que Deus ordenou que ele comesse animais considerados impuros. (Atos: 10.1). Paulo também ficou preso em Cesaréia e foi lá que o rei Agripa e Berenice o ouviram. O cristianismo se espalhou entre os gentios a partir de Cesaréia. Foi aí que tudo começou.  

No caminho para Megido, tive algumas frustrações. Queria que o guia nos explicasse tudo o que estávamos vendo: as cidades, as vilas e os campos com lavouras que eu não reconhecia.

Megido é uma ruína no topo de uma colina, onde ocorreram tantos eventos na história daquela região. Megido é mencionado na Bíblia. (1 Reis 9:15). Nessas escavações, eles encontraram camadas de vinte cidades ou civilizações umas sobre as outras. De lá, o guia nos mostrou o Monte Carmelo à distância

Viajamos um pouco mais e o ônibus subiu um morro. A certa certa altura parou. Terminamos de subir a pé. De lá, tínhamos uma vista deslumbrante das lavouras e mais lavouras, até perder de vista. Era  uma enorme área verde cortada por rodovias. É o vale de Jezreel, que é muito fértil. Na Bíblia ele é chamado de a terra que mana leite e mel. A colina que escalamos é o Monte do Precipício, do qual as autoridades de Nazaré queriam derrubar Jesus. Ele escapou deles e fugiu. (Lucas 4: 28-30). A cidade no sopé da colina é Nazaré, onde Jesus viveu até aos 30 anos. Não entramos em Nazaré, apenas passamos pela estrada ao lado. 

Passamos então pela cidade de Caná da Galiléia, onde Jesus e sua mãe participaram de uma festa de casamento, e Jesus realizou seu primeiro milagre. Ele transformou a água em vinho. (João 2). Fiquei impressionado com as muitas lojas de vestidos de noiva e as várias casas de vinho. Chegamos naquela noite em Tiberias, à margem do mar da Galiléia. Ficamos no Caesar Hotel.

7/2//2020 sexta-feira

 Depois do café da manhã, que era sempre muito saboroso, abundante e incluía muitas variedades de pão, frutas e tantas outras comidas deliciosas, fizemos um passeio de barco no mar da Galiléia, onde  Jesus tantas vezes cruzava de um lado para o outro. Enchemos dois barcos. Começou a chover, mas os barcos tinham telhados. Os barqueiros aproximaram os barcos e amarraram um ao outro para que todos pudéssemos participar de um culto. Aproximamos de um outro local e desembarcamos. Entramos em um museu onde há um barco semelhante aos do tempo de Jesus. Numa época em que o mar da Galiléia estava muito baixo, encontraram este barco e o restauraram.

Pegamos o ônibus e fomos para um lugar chamado Tabgha, onde a tradição diz que o milagre da multiplicação dos pães aconteceu. Há uma igreja à beira do mar da Galiléia com um altar de pedra. À sua frente, você vê uma placa que diz: “Mensa Christi” A Mesa de Cristo. As pessoas acreditam que esta pedra marca o lugar onde Jesus partiu o pão e alimentou a multidão (Mateus 14: 15-21, Marcos 6: 37-42, Lc 9: 10-17, João 6: 1-14). 

Em seguida, fomos ao Monte das Bem-Aventuranças. Enquanto caminhávamos para a igreja, íamos lendo as bem-aventuranças nas placas fincadas nos canteiros de flores. 

  Nossa próxima parada foi em Cafarnaum. Na entrada, há a estátua de um homem dormindo em um banco e uma placa dizendo: “O Jesus sem-teto”.Vimos ruínas de casas típicas da época. Cada casa se conecta a um espaço comum onde a comunidade cozinhava e se reunia devido ao fato de cada casa ser muito pequena. Vimos pilões de pedra, as ruínas de uma sinagoga semelhante à que o oficial romano construiu para os judeus (Lucas 7: 1-5), e onde Jesus ensinou muitas vezes. (Lucas 4,31-34). Acredita-se que uma dessas casas seja a casa de Pedro, onde Jesus morava com ele e sua. (Marcos 1: 29-31). Uma organização construiu um templo interdenominacional moderno com piso de vidro sobre as ruínas para que todos possam ver a casa de Pedro em baixo.

Nesse dia, também fomos a Yardenit, o local do batismo de Jesus. De fato, Jesus foi batizado em outro lugar no rio Jordão. Como o local original pertence ao país da Jordânia, eles adotaram esse outro local. Muitas pessoas do grupo receberam reafirmação de seu batismo por imersão. Recebi minha reafirmação com apenas um raminho molhado nas águas do Rio Jordão.

8/2/2020 Sábado 

Fomos às ruínas de Corazin e Betsaida, que são as cidades repreendidas por Jesus porque não acreditavam nele (Mateus 11: 20-24). Nas escavações, eles também encontraram ruínas de uma sinagoga. 

    Cesareia de Filipe foi a próxima visita. Seu nome original era Pânias em homenagem ao deus grego Pan. Nas encostas do Monte Hermon, há uma caverna e um nicho onde os gregos adoravam esse deus. No ano 20 aC, o imperador romano César Augusto doou esta cidade a Herodes, o Grande. Herodes mudou o nome da cidade para Cesaréia em homenagem a César Augusto. Filipe II, um de seus filhos, herdou esta cidade e mudou seu nome para Cesaréia de Filipe. 

Ao pé do monte Hermon, vimos as nascentes borbulhantes do Rio Jordão. É um lugar bonito e inspirador. Jesus esteve neste lugar. Foi lá que Jesus perguntou aos discípulos, “Quem vocês dizem que eu sou?” Pedro fez a declaração muito importante: “Você é o Cristo” (Marcos: 8.27-29).

Passamos pelas Colinas de Golã, uma região que Israel capturou da Síria na Guerra dos Seis Dias. Essa região, na época em que os israelitas entraram na Terra Prometida, se chamava Basã e é mencionada várias vezes na Bíblia (Dt.3: 13 e Josué 13: 29.30). A próxima parada foi Magdala.

Magdala é conhecida como a cidade de Maria Madalena, a pessoa de quem Jesus expulsou sete demônios. Ela está localizado na margem do mar da Galiléia. Através de escavações, eles descobriram ruínas de uma cidade, um porto, um mercado e um mercado de peixe especializado em preservar o peixe em sal. Você pode ver as depressões no chão de pedra onde eles armazenavam peixes do mar da Galiléia. Na história da multiplicação dos pães, eles acreditam que o peixe foi comprado em Magdala. A palavra original para peixe usado no texto é peixe em conserva. Uma descoberta muito importante aqui é uma sinagoga construída entre os anos 5 e 11 dC . No centro da sinagoga, eles encontraram uma pedra esculpida com símbolos representando o templo de Jerusalém. Esta pedra é a  única desse tipo. Também vimos em um canto, outra pedra esculpida, usada para segurar o rolo de pergaminho do Tora aberto para a leitura. Esta sinagoga do primeiro século não tinha divisão. Homens e mulheres sentavam-se juntos. 

Jesus definitivamente caminhou por Magdala e ensinou na sinagoga (Marcos 1:39, Mateus 4:23 e Mateus 15:39). Entramos em uma igreja moderna ao lado dessas escavações. Ela tem quatro capelas com pinturas religiosas nas paredes e na frente desta igreja há um barco semelhante aos utilizados para a pesca no primeiro século.

9/2/2020 Domingo 

Belém – deixamos o ônibus em um estacionamento e andamos pelas ruas de uma cidade semelhante a alguns bairros de São Paulo. Havia comércio nas calçadas e pessoas pedindo para você comprar. Chegamos à imensa Igreja da Natividade. Entramos uma enorme fila  lenta que levava à caverna sob a igreja. Acredita que foi ali ao estábulo onde Cristo nasceu. Finalmente foi a minha vez. Eu me abaixei para entrar pela porta baixa e estreita, pela qual apenas uma pessoa de cada vez pode passar. Desci alguns degraus e lá me juntei a outras pessoas nesta salinha meio escura e toda decorada no estilo tradicional da Igreja Católica. Há um lugar como uma lareira e, embaixo uma estrela. Acredita-se que seja a manjedoura onde o menino Jesus foi colocado. Todo mundo se abaixou para tirar uma foto daquela estrela. Eu também o fiz. Saí rapidamente por outra porta porque havia centenas de pessoas esperando para entrar. A Igreja da Natividade original foi construída no século III dC. A atual foi construído no século VI dC.

Em seguida, fomos ao campo dos pastores, onde os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus. Bem, depois de dois mil e vinte anos, o que vimos foram igrejas. Uma em particular tem uma bela cúpula com o versículo de (Lucas 2:14).

Em seguida, fomos visitar o Túmulo do Jardim. O túmulo do Jardim e seus jardins ao redor são mantidos como um local de culto e reflexão protestante. É o que você poderia chamar de rival da Igreja do Santo Sepulcro. A tumba foi descoberta em 1867. Tivemos um culto com Santa Ceia ao ar livre. O vinho foi servido em pequenas taças de madeira da oliveira. Trouxe o meu de lembrança.

10/2/2020 Segunda-feira

Masada foi  um forte no topo de uma colina alta na área desértica de Israel, perto do Mar Morto. Neste local Herodes, o Grande, construiu seu palácio de inverno. No início da primeira revolta dos judeus contra Roma, no ano 66 dC, Massada ficou sob o controle dos zelotes. Eles eram a seita mais fanática dos judeus e comandavam essa revolta. Judas. O líder foi assassinado e seu parente Eleazar ben Jair escapou de Jerusalém com outros zelotes e se refugiou em Masada. Daí, ele continuou liderando a revolta. 

Os romanos reagiram e destruíram Jerusalém no ano 70 dC. No ano 73 ou 74 dC, a legião romana, com oito mil soldados comandados por Flávio Silva, sitiou Massada. Era impossível para o exército romano subir com a ariete para derrubar as muralhas da fortaleza. Mas, os romanos engenhosos encontraram uma fraqueza. Do lado onde a montanha era menos íngreme, eles construíram uma rampa com madeira, pedras e terra. Eles então subiram a rampa e arrombaram o muro com o aríete. Quando Eleazar ben Jair viu que não havia saída, ele fez um discurso inflamatório, levando os 960 membros daquela comunidade a escolherem a morte. “Escravidão nunca mais”, ele clamou. Os pais decapitaram suas famílias e dez homens escolhidos por sorteio mataram os pais. Um dos dez, também escolhido por sorteio, matou os nove e cometeu suicídio. Pedaços de argila foram encontrados com os nomes desses dez homens. Quando os soldados romanos entraram, encontraram apenas cadáveres. 

Como sabemos o que aconteceu lá se todos estavam mortos? Duas mulheres e cinco crianças se esconderam em uma cisterna. Suas histórias foram a fonte do que sabemos sobre os eventos que ocorreram. Ao atravessar as ruínas deste lugar,  a gente vê muitos poços para banho. A purificação nas águas era muito importante para os judeus. Vê-se  inúmeros cômodos para armazenar mantimentos, poços para guardar água, sistema para coletar água da chuva,  e até um pombal onde criavam pombas para a alimentação. O estrume da pomba fornecia fertilizante para os jardins e hortas da fortaleza. De lá, você também pode ver uma caverna onde fragmentos das escrituras sagradas foram encontrados. Além de ser um lugar bonito, tem uma história impressionante. Os judeus preferiram morrer a ser escravizados.

Partimos deste lugar para o Mar Morto. O Mar Morto fica 396 metros abaixo do nível do mar. A água vem principalmente do rio Jordão e a saída é apenas por evaporação, por isso é 30% mais salgada que o mar. Eles nos disseram que você não afunda no Mar Morto. É verdade, eu tentei. 

Enquanto viajávamos de Massada para o Mar Morto, uma curta jornada, enfrentei uma batalha interna. 

“Está muito frio, eu não deveria entrar na água.”

“Não, eu vou entrar, esta é minha única chance.”

“Está frio demais, eu posso ficar doente.”

“De jeito nenhum vou deixar passar essa oportunidade. Vou entrar no Mar Morto, porque nunca mais voltarei aqui.

“Está extremamente frio, eu não deveria.”

“Tenho que entrar. Eu nunca vou ter essa chance novamente; é agora ou nunca. Além disso, sou forte, não morrerei de frio. É a minha única chance em toda a minha vida.

Daí, o guia anunciou: “A temperatura está em 4 graus, imagino que ninguém vai se aventurar na água. Alguém vai entrar?” Uma jovem chamada Cindy e eu levantamos nossas mãos.

     Eu havia levado  maiô e uma saída de banho mas,  esqueci de trazer um par de sandálias para proteger meus pés das pedras. Depois de colocar meu traje de banho, cautelosamente desci até a beira da água. Estava muito emocionada e apreensiva, mas aguentei bem o frio. O mais difícil foi andar sem calçado no cascalho. Eu já havia pedido a outra pessoa, Mary, para tirar fotos minhas com meu telefone celular e assim aconteceu. Ela me fotografou entrando e flutuando no Mar Morto. Não senti frio na água, mas fiquei apenas alguns minutos e saí. No vestiário, tomei um banho frio, apenas para enxaguar o sal. Quando peguei minhas roupas que havia deixado penduradas lá, não  encontrei meu sutiã. Acho que deve ter caído e alguém o jogou no lixo. Me vesti sem essa peça e saí com pressa. Havia um lindo arco-íris duplo atrás das palmeiras com o Mar Morto ao fundo. Uma bela vista. Eu tenho boas fotos desses momentos preciosos. 

Em seguida, Jericó.

A cidade de Jericó fica no pé da colina, onde Jesus foi tentado pelo diabo. Quando paramos para olhar a colina, havia um garoto palestino com um camelo ali. Ele estava oferecendo aos turistas uma oportunidade de montar no camelo por algumas moedas. Filmei o camelo de perto. Eu nunca tinha encontrado um camelo antes. 

A atual Jericó  é uma cidade pobre e feia. Fizeram escavações no local da antiga Jericó e não encontraram vestígios dos muros que caíram ao som das trombetas. Supõem que os muros eram de bairro e não de pedra.

Foi interessante ver lojas com nomes conhecidos como KFC. É uma cidade palestina e, por eu ser brasileira, me senti em casa com barracas de legumes e frutas nas calçadas.

Paramos em uma loja de cristãos palestinos para turistas. Acho que nosso guia ganha comissões em nossas compras porque passávamos muito tempo fazendo compras. E nos lugares históricos e interessantes, tínhamos que nos apressar. Eu reclamei com ele e ele ficou bravo comigo. “Você está me acusando?” ele perguntou.

11/2/2020 Terça-feira 

O Monte das Oliveiras. Jesus freqüentemente entrava neste lugar com seus discípulos (João 18: 1-2). É aí que Judas o traiu. Jesus orou por toda a humanidade neste local. Alguns botânicos afirmam que as oliveiras têm cerca de 3.000 anos. Dizem que é difícil destruir uma oliveira. Novas árvores brotam das raízes. Vimos sinais por todo o lado dizendo: “Ore pela paz de Jerusalém”.

O Monte do Templo. O Monte do Templo também é chamado de Monte Moriah na Bíblia (II Crô: 3: 1). Era o local onde Abraão iria sacrificar seu filho Isaque (Gênesis 22: 1-14). O Arco da Aliança foi colocado neste local e aí permaneceu até que Salomão construiu o primeiro templo, chamado Templo de Salomão, no mesmo lugar.

Os babilônios conquistaram Israel, destruíram o templo de Salomão e levaram os israelitas ao cativeiro. Mais tarde, eles foram autorizados a voltar e Zorobabel construiu o segundo templo. No primeiro século dC, Herodes construiu o terceiro templo, que foi incendiado e destruído pelos romanos no ano 70 dC. Este lugar é também sagrado para os muçulmanos, que acreditam que Maomé foi elevado ao céu a partir deste local. O que se encontra aí hoje é A Cúpula da Rocha, construída entre 687 e 691 dC. Ela é decorada com belos azulejos persas. Vale a pena ver a Cúpula da Rocha.

O Cenáculo é uma sala do Conjunto da Tumba do Rei Davi e é tradicionalmente considerado o local da Última Ceia.

A Casa de Caifás é onde Jesus foi interrogado, cuspido, esbofeteado e  espancado. É também onde Pedro negou Jesus três vezes. 

Vimos tantos lugares em tão pouco tempo que alguns deles ficaram nublados em minha mente, como num sonho. A Casa de Caifás e o Cenáculo são dois desses lugares. Nosso guia não falava inglês bem e às vezes era difícil entendê-lo.

Enquanto estávamos naquele complexo, deixei o grupo e entrei em uma sala para ver o túmulo do rei Davi. Quando saí, não consegui encontrar meu grupo. Caminhei por toda parte procurando por eles. Finalmente, perguntei a um guarda onde ficava a saída e ele me levou até lá. Corri o mais rápido que pude para o ônibus. Meus companheiros já haviam entrado; fui a última a entrar. Ninguém soube que eu havia me perdido. Eu sempre sentava sozinha no ônibus. Todo mundo tinha uma pessoa certa com quem sentar. 

12/2/2020 Quarta-feira

IMG_1531Fomos à Igreja de Santa Ana. Havia um grupo de turistas asiáticos cantando lá; a acústica desta igreja é ideal. Ao lado estão as escavações do Poço Bethesda. Este é o local onde Jesus curou o paralítico que estava esperando que alguém o colocasse na água (João 5: 1-9). De lá, começamos a caminhada na Via Dolorosa. As ruas são muito estreitas e alguns carros e motos estavam passando. Tivemos que nos apoiar nas paredes para que não nos atropelassem. Mais adiante, não havia tráfego de veículos. Pudemos ver as quatorze estações da cruz. A Via Dolorosa termina na Igreja do Túmulo Sagrado. Ao entrar nesta igreja, construída entre os anos 1012 e 1170 dC, a Pedra da Unção está à sua frente. É uma comemoração da preparação do corpo de Cristo para o enterro. Muitas pessoas, principalmente os cristãos ortodoxos orientais, se ajoelham ali, beijam a pedra, se ungem e até colocam seus bebês nela. Esta igreja é o lugar mais sagrado do mundo cristão. Há também o que resta do Gólgota e da tumba de Jesus. Esta igreja  foi construída, destruída e reconstruída muitas vezes nesses dois mil anos depois de Cristo. Havia uma multidão lá. Para ver alguns desses lugares teríamos que enfrentar uma fila sem fim e não tínhamos tempo suficiente. O lugar para nos encontrar novamente era em um pátio ao lado, onde havia algumas pessoas de preto, como freiras, tomando banho de sol e rezando.

Descemos outras ruas estreitas cercadas por lojinhas. Finalmente, saímos deste labirinto que é a antiga Jerusalém.

 O próximo local foi o Muro das Lamentações.

 Os romanos destruíram o templo construido por Herodes no ano 66 dC. O muro de contenção que cercava a esplanada do templo sobreviveu e é o lugar mais sagrado do judaísmo. É uma tradição escrever uma oração em um pequeno pedaço de papel e colocá-lo em uma fenda do muro. O local é separado em duas partes, uma para os homens e outra para as mulheres. Há uma cerca  fazendo essa separação. Eu me aproximei do muro para colocar minha oração. Havia tantos pedaços de papéis enfiados nas rachaduras do muro de pedra que não havia mais espaço para eu colocar o meu. Mesmo assim, apertei-o com milhares de outros que estavam caindo e se espalhando pelo chão. Na minha oração, havia apenas um pedido. Os outros itens foram agradecimentos. 

O próximo local foi  “Os Degraus de Ensino”, uma escadaria  dos dias de Jesus que levavam ao Templo. Ele certamente subiu esses degraus com os pais para o festival da Páscoa (Lucas 2: 41-51); e aqui, como rabino, ele entrava para ensinar (João 10: 22-39). Todos os oito grupos da excursão mais de 300 pessoas, sentaram-se nesses degraus e o bispo proferiu um sermão. 

12/2/2020 Quinta-feira 

Nesse dia, eu andei com Cindy, a mesma pessoa que me acompanhou para entrar  no Mar Morto. Vimos a maquete da cidade de Jerusalém, com o templo construído por Herodes, a fortaleza  Antônia e até a piscina de Bethesda próxima ao portão. Em seguida, vimos o Museu Yad Vashem. Vimos filmes, fotos e ouvimos testemunhos sobre o holocausto, as atrocidades de Hitler contra o povo judeu.  

Entramos no Santuário do Livro, onde eles mantêm o livro de Isaías formado a partir dos fragmentos de pergaminhos  encontrados por um pastor de ovelhas em um vaso de barro em uma caverna.Todos os pergaminhos dos livros do Antigo Testamento, exceto Ester e Neemias, também foram descobertos em vasos de barro nas cavernas de um lugar chamado Qumran. Esses pergaminhos foram restaurados e também são mostrados no museu. Neste local não podíamos tirar fotos.

Qumran estava no nosso roteiro de viagem, mas nosso guia não nos levou lá. Uma pena. 

Outro local em que entramos era  uma sala escura com uma passarela serpenteando por ela. A gente não conseguia ver onde estava pisando e ia se orientando segurando no corrimão. Os nomes de crianças que morreram nos campos de concentração iam aparecendo no teto rotundo e escuro, como estrelas piscando.

O último dia foi mais interessante porque eu tinha uma companheira com quem compartilhar o que via. Almoçamos na cafeteria do museu. Guardei parte do meu almoço (tiras de peito de frango frito) para comer no avião durante a viagem. 

Para o almoço, costumávamos comer falafel com salada em restaurantes à beira da estrada. Foi bom, mas não tão bom quanto o café da manhã e o jantar nos três hotéis em que hospedamos. A comida era deliciosa e eu podia comer tudo porque era kosher. Nada continha leite ou produtos lácteos. Eu podia comer pão e sobremesas deliciosas. Comi como nunca antes e nada me fez mal. Acho que nem  o açúcar do sangue subiu porque andávamos muito e subíamos  e descíamos degraus o dia todo, todos os dias. Também degustei variedades deliciosas de humus com pão. Enlouqueci com os caquis maduros, frescos, macios e doces; não como os que encontramos nos EUA. Também me deliciei com as ameixas frescas e sempre levava algumas na minha bolsa para lanches durante o dia. Realmente amei a comida em Israel.   

Após essa visita, os textos bíblicos se tornaram mais vivos para mim, com mais significado. A leitura da Bíblia se tornou mais clara, mais agradável  e mais edificante. Quando um certo local é mencionado, penso: “Eu sei onde é, fui lá, ou passei por lá ou vi à distância”. Fui de ônibus a lugares onde Jesus ia a pé. Vi também ao longe, do outro lado do Rio Jordão, as campinas e as montanhas de Moabe, onde os israelitas armaram suas tendas antes de entrar na Terra Prometida. De longe, vi o Monte Nebo no topo de Pisga, onde Moisés subiu para ver a Terra Prometida e onde ele morreu. Esses lugares têm muito significado para mim por causa de Milca, o livro que escrevi.

Sou grata a Deus por essa oportunidade única e obrigada, filho David e nora Amy, por esse maravilhoso presente. E obrigada Tom Brown, meu marido, por encontrar e organizar a viagem para mim. 

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